Raquel vira o jogo, João perde a gordura e a eleição de Pernambuco entra em território desconhecido

Fonte: BLOG DO ADRIANO ROBERTO 
felizsramosdecarvalho@yahoo.com.br-

A nova pesquisa Datafolha não é apenas mais uma fotografia da disputa. Ela revela uma mudança importante no ambiente eleitoral pernambucano e coloca João Campos diante de um desafio que talvez não estivesse nos seus planos: disputar uma eleição de verdade. Há poucas semanas, a eleição para o Governo de Pernambuco parecia caminhar para uma espécie de plebiscito em torno de João Campos. O ex-prefeito do Recife carregava a força do sobrenome Eduardo Campos, a estrutura do PSB e a proximidade política com o presidente Lula.

Política não respeita favoritismos antecipados

O Datafolha divulgado na última sexta-feira colocou Raquel Lyra com 47% das intenções de voto, contra 40% de João Campos. Considerando apenas os votos válidos, a governadora chega a 52%, contra 44% do adversário. A margem de erro é de três pontos percentuais. Mais importante do que o número isolado é a trajetória. Poucos dias antes, o RealTime Big Data mostrava exatamente 43% para João e 43% para Raquel. Ou seja: em um intervalo muito curto, a disputa que parecia empatada passou a apresentar vantagem para a governadora.

Raquel encontrou o caminho?

É cedo para decretar que Raquel Lyra já ganhou a eleição. Seria um erro tão grande quanto aquele cometido por quem imaginava que João Campos já tinha a eleição nas mãos. Mas uma coisa parece inegável: Raquel conseguiu transformar uma candidatura que durante muito tempo foi tratada como competitiva em uma candidatura que hoje aparece como favorita nas pesquisas.

A governadora parece ter conseguido algo fundamental em uma eleição estadual: nacionalizar menos a disputa e regionalizá-la mais. Enquanto João Campos aposta fortemente na associação com Lula e no legado político de Eduardo Campos, Raquel tenta apresentar a eleição como uma escolha entre dois projetos para Pernambuco.

É uma estratégia inteligente.

Porque João pode ser muito forte no Recife e na Região Metropolitana, mas precisa transformar sua popularidade urbana em votos espalhados por um Estado inteiro. Raquel, por sua vez, tem a vantagem de estar ocupando o Palácio do Campo das Princesas e de poder apresentar obras, ações administrativas e presença no interior como argumentos eleitorais.

O problema de João Campos

João Campos continua sendo um candidato fortíssimo. Seria precipitado dizer o contrário, mas a pesquisa revela que ele não pode mais contar apenas com a força do nome. A eleição deixou de ser uma corrida em que João precisava apenas administrar sua vantagem, agora ele precisa recuperar terreno e isso muda completamente a campanha.

João terá de explicar ao eleitor por que deve deixar uma governadora que aparece com avaliação positiva para escolher um ex-prefeito do Recife. Terá de convencer o interior de Pernambuco de que sua experiência administrativa na capital é suficiente para comandar todo o Estado e terá, principalmente, que encontrar uma narrativa própria porque ser o candidato de Lula pode ajudar - e muito -, mas não necessariamente resolve uma eleição estadual.

A televisão pode mudar o jogo

É aqui que entra um elemento decisivo. A propaganda eleitoral gratuita começa na próxima sexta-feira, 28 de agosto. O TRE-PE já definiu a distribuição do tempo e a ordem de veiculação, será aí que a eleição poderá começar a ser decidida de outra maneira. Pesquisa mede o momento, mas televisão e rádio se juntando com as redes sociais, debates e rua podem mudar o momento.

João Campos terá uma oportunidade enorme de apresentar sua candidatura para milhões de pernambucanos que ainda não decidiram o voto. Raquel terá a mesma oportunidade de transformar sua vantagem nas pesquisas em uma percepção concreta de que seu governo merece mais quatro anos. E é justamente aí que mora o perigo para os dois. Quem errar a mão na propaganda pode perder o que conquistou.

E o Senado?

Se a eleição para governador começa a ganhar contornos mais claros, a disputa pelo Senado continua sendo uma verdadeira incógnita. Marília Arraes aparece numericamente na frente, com 15%. Humberto Costa tem 14%, Mendonça Filho 12% e Eduardo da Fonte 11%. Na prática, os quatro estão tecnicamente empatados. E aqui existe uma curiosidade política importante.

A candidatura de Marília, que em determinados momentos parecia perder força dentro do campo progressista, continua viva e competitiva. Humberto, por sua vez, mantém uma marca eleitoral consolidada e conta com a estrutura do PT. Mendonça Filho aparece novamente competitivo em uma eleição majoritária e Eduardo da Fonte mostra que sua estrutura política não pode ser subestimada. São quatro nomes para duas vagas. Ainda tem o nome de Túlio Gadelha que está mais atrás, mas pode surpreender lá na frente. E essa pode ser a eleição do Senado mais imprevisível de Pernambuco de todos os tempos.

A eleição começou de verdade

Talvez essa seja a principal conclusão desta nova fotografia eleitoral. Até agora, Pernambuco viveu uma longa pré-campanha. A partir desta semana, começa outra história. Raquel não pode se comportar como quem já ganhou. João não pode continuar se comportando como quem já era favorito. E os candidatos ao Senado sabem que praticamente tudo ainda pode acontecer.

O eleitor pernambucano começa agora a receber propaganda, ouvir propostas, assistir aos debates e comparar os candidatos. E, neste momento, uma coisa já mudou: João Campos deixou de correr contra o calendário. Agora, corre "atrás" de Raquel Lyra.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Raquel virou o jogo definitivamente ou apenas conseguiu a primeira grande virada de uma eleição que ainda terá muitos capítulos?

Segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro 

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