Em fevereiro, a primeira pesquisa DataTrends apresentava João Campos com 48% das intenções de voto, enquanto Raquel tinha 35%. Naquele momento, a diferença de 13 pontos colocava o socialista em situação confortável e estabelecia para a governadora o desafio de transformar a aprovação administrativa em competitividade eleitoral.
A segunda fotografia, divulgada em maio, começou a apresentar uma mudança. Raquel passou para 36%, enquanto João recuou para 42%. A distância entre os dois, que era de 13 pontos, caiu para seis. Ainda não havia ocorrido a virada, mas começava a ficar evidente que a disputa estava se aproximando.
Foi no início de agosto que aconteceu a mudança mais significativa. A terceira pesquisa divulgada pelo DataTrends apontou Raquel com 44%, contra 35% de João Campos. Em poucos meses, a governadora não apenas eliminou a diferença como passou a liderar por nove pontos.
Agora, a quarta pesquisa confirma esse novo desenho. Raquel chega a 45%, enquanto João registra 36%, preservando exatamente os nove pontos de vantagem. Considerando toda a série, a governadora avançou dez pontos desde fevereiro, enquanto João perdeu 12. O saldo relativo entre os dois, portanto, sofreu uma inversão de 22 pontos.
A aprovação da gestão ajuda a explicar parte desse movimento. Raquel tinha 60% de aprovação em fevereiro. Em maio, esse percentual ficou em 56%. No início de agosto, avançou significativamente para 66% e agora alcança 68%, o melhor resultado da série. Em paralelo, a intenção de voto da governadora percorreu trajetória semelhante: 35%, 36%, 44% e 45%.
O dado mais politicamente relevante da pesquisa mais recente, porém, talvez esteja no momento em que ela foi realizada. O levantamento foi a campo entre os dias 25 e 27 de agosto, em meio à forte repercussão de uma reportagem da Record TV que apontou a existência de um suposto “gabinete do ódio” relacionado a ataques contra adversários políticos. O episódio provocou reação da oposição, ganhou espaço no debate estadual e colocou o governo sob pressão.
Apesar disso, ao menos nesta pesquisa, não há sinal de dano mensurável à imagem eleitoral da governadora. Raquel avançou de 44% para 45%, sua aprovação passou de 66% para 68% e a vantagem sobre João permaneceu em nove pontos. Naturalmente, uma pesquisa realizada durante a repercussão de um episódio não permite descartar efeitos posteriores, mas a fotografia disponível não aponta desgaste imediato.
É justamente aí que reside o principal significado político dos números. Raquel não está apenas crescendo eleitoralmente. Ela conseguiu sustentar o patamar conquistado mesmo diante de uma semana adversa no noticiário.
De fevereiro para cá, a governadora transformou uma corrida em que estava 13 pontos atrás numa disputa em que aparece nove pontos à frente. Mais do que uma recuperação, os números mostram, até aqui, uma mudança estrutural no cenário eleitoral pernambucano.
Votos válidos – Com a diminuição dos indecisos e o crescimento dos dois principais nomes, a disputa pelo governo de Pernambuco, de acordo com o DataTrends teria Raquel Lyra com 55% dos votos válidos contra 44% de João Campos.
Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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