O mistério da foto que sumiu: Lula repete com João Campos o roteiro que aplicou em Eduardo em 2006

Fonte: BLOG DO ADRIANO ROBERTO 
felizsramosdecarvalho@yahoo.com.br-

Quem acompanha os bastidores da política em Brasília e no Recife sabe que, em ano eleitoral, um aperto de mãos no Palácio do Planalto vale ouro. Mas, às vezes, o clique que não acontece diz muito mais sobre o cenário político do que qualquer imagem oficial. Foi exatamente isso o que se viu no último encontro entre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e o presidente Lula. João foi a Brasília em busca do carimbo definitivo do Planalto para a sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Saiu de lá com tapinhas nas costas, afagos institucionais, mas sem a tão sonhada foto de campanha. Relatos de quem circulou pela comitiva dão conta de que o presidente evitou, a todo custo, o registro que pudesse ser transformado em peça publicitária.

A ausência do clique acendeu o alerta no PSB. Enquanto João Campos e seus aliados bradam aos quatro cantos de Pernambuco que o palanque de Lula no estado será único e exclusivo dos socialistas, o silêncio que vem de Brasília ecoa como um banho de água fria. O Planalto não confirma o palanque único por um motivo puramente pragmático: Lula não quer — e não pode — fechar as portas para a governadora Raquel Lyra (PSD).

O déjà-vu de 2006: João experimenta o veneno do pai

Se o cenário atual parece uma novidade indigesta para João Campos, para a história política de Pernambuco ele é um puro *déjà-vu*. O jovem prefeito está experimentando na pele exatamente o mesmo pragmatismo que o seu pai, Eduardo Campos, enfrentou duas décadas atrás. Em 2006, Eduardo Campos lançou-se candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB contra a máquina liderada por Mendonça Filho. Naquele momento, o candidato considerado "oficial" da esquerda e do coração do PT era Humberto Costa.

Eduardo tentou, de todas as formas, o monopólio do apoio de Lula no primeiro turno. O que o presidente fez? Operou sob a lógica da sobrevivência nacional. Lula não subiu em palanque único. Ele dividiu o seu apoio no estado, sustentou a candidatura de Humberto e estendeu a mão a Eduardo, mantendo duas frentes amplas contra as forças da direita. O resto é história: Eduardo cresceu, foi ao segundo turno com o apoio do PT e venceu aquela eleição histórica. Vinte anos depois, a engrenagem roda da mesma forma, mas agora João está do outro lado da mesa. Ele quer o palanque exclusivo que o PT tentou ter no passado, e Lula repete o roteiro de neutralidade estratégica.

O cálculo de Lula: Por que manter o palanque duplo?

Para o presidente, a conta é simples e fria. As pesquisas recentes (como Quaest e Datafolha) mostram que o cenário em Pernambuco estreitou e que a disputa entre João Campos e Raquel Lyra será duríssima. Raquel tem a máquina do estado nas mãos e comanda um arco de alianças encabeçado pelo PSD — um dos partidos mais gigantescos e essenciais para a governabilidade de Lula no Congresso Nacional. O recuo estratégico do ministro da Pesca, André de Paula (PSD), que desistiu de se desincompatibilizar do cargo para disputar a Câmara Federal, é o maior exemplo disso. Ele permanece na Esplanada dos Ministérios justamente para cumprir uma missão: ser a ponte firme que amarra Raquel Lyra ao governo federal.

Lula sabe que o eleitorado pernambucano é majoritariamente lulista. Se ele der exclusividade a João Campos agora, ele empurra Raquel e o PSD diretamente para a neutralidade ou para os braços da oposição nacional. Ao negar a foto e manter o mistério sobre o palanque, o presidente força os dois lados a competirem para ver quem é "mais amigo de Lula". João Campos é herdeiro político da habilidade de Eduardo, mas agora precisa entender a máxima que o próprio pai decifrou em 2006: no xadrez de Lula, o pragmatismo nacional sempre vem antes das urgências locais. E, até segunda ordem, o presidente prefere continuar solteiro em Pernambuco.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Até onde João vai sustentar a paciência com Lula se as próximas pesquisas indicarem mais queda nas intenções de voto para ele?

04, de junho de 2026

Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro 

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