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O avanço de Raquel Lyra nas pesquisas desencadeou uma revisão estratégica entre os socialistas e colocou em xeque decisões tomadas quando a vitória de João Campos parecia imbatível
Sete dias. Foi o tempo necessário para o castelo de cartas erguido pelo PSB começar a ruir com estrondo. Não há mais como esconder: a crise que se instalou no partido é a mais grave desde que Eduardo Campos, já na curva da eternidade, escolheu Paulo Câmara para lhe suceder, em 2014. Agora, o herdeiro do nome, João Campos, assiste atônito a três pesquisas consecutivas em que Raquel Lyra (PSD) o ultrapassa. E o pior: o remédio que os estrategistas preparam pode matar o paciente.
Nos corredores do Espelho d’Água, a conclusão é cirúrgica: precisa-se de uma correção de rumos. E a faca aponta para um alvo único, Marília Arraes. A operação já está em curso, ainda que em silêncio de túmulo, para retirar da jogada a candidatura da pedetista ao Senado. O motivo é brutal em sua lógica: Marília lidera as pesquisas com folga. Se João perder o governo e ela for a grande vitoriosa, quem assume o protagonismo da oposição? Ela. E em quatro anos, quem será a adversária natural de Raquel Lyra? Ela, sem nem cogitar o primo.
O PSB, diga-se, nunca a engoliu. A pecha de “personalista”, de criatura destoante dos cânones camonianos, nunca saiu do dossiê interno. A aliança com o PDT, costurada às pressas no começo do ano, foi um casamento forçado. João precisava do lulismo, e Lula queria Humberto Costa na primeira vaga do Senado. Sobrou a segunda. Quando Marília ensaiou um flerte com governadora, o socialista entrou em pânico: não teve alternativa. Deu a vaga a ela. Um erro de cálculo que agora cobra juros.
O problema, e ele é enorme, é que a colocação de Marília não ajuda em votos o candidato majoritário, que é João. Os atritos do passado viraram muros. Enquanto isso, a vantagem que o prefeito que acabou de deixar o comando da cidade do Recife ostentava, de mais de 30 pontos, evaporou. Raquel cresce, e o PSB se vê refém, da própria aliada, do presidente Lula, da engrenagem que ele mesmo montou. Derrota no primeiro turno, que antes soava como heresia, agora é um cenário que circula em voz baixa nas mesas do Jangadeiro.
O jovem políltico saiu da prefeitura ávido ppor comando geral, e com pressa de quem quer liquidar etapas de uma só vez. O plano era impecável: A maratona tinha como destino o Palácio do Planalto. E agora a realidade cobra o preço da arrogância. Muita sede ao pote. Ou, como se diz nos bastidores da política pernambucana: faltou combinar esse xadrez com os russos.
O PSB não admite ser refém de ninguém, mesmo quando é. E Marília, que sempre foi tratada como hóspede indesejada, virou uma bomba-relógio no colo do partido. Se a manobra para retirá-la vingar, a crise pode explodir a chapa. Se não vingar, o trono dos Campos sangra até o fim. A lição, amarga, é velha: em terra de cana-de-açúcar, quem planta vento não colhe herdeiro ,colhe derrota. E o jovem politico deslumbrado está prestes a descobrir que o povo não assina plano de carreira.
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2, de junho de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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