Fernando Guerra
Particularmente, desconheço qualquer outro prefeito de Surubim que tenha investido tanto dinheiro em festas quanto Chaparral.
Panis et circenses, ou seja, pão e circo é a receita que um poeta romano chamado Juvenal ministrava aos governantes de sua época para se manterem no poder, isso no final do primeiro século depois de Cristo.
Muita festa, é disso que o povo gosta.
Por outro lado, a expressão cultura não dá voto foi outra proposta genial que um assessor de certo ex-prefeito lhe recomendou num tempo em que nossos produtores culturais tiveram que engolir a seco as migalhas que sobraram para a cultura. Esse personagem, hoje, é um dos conselheiros do chefe da edilidade.
Os artistas que se debruçam sobre a verdadeira arte, os escritores, pintores, poetas, compositores, cantores, atores entre tantos outros, assim como os bois não sabem a força que têm. Falta algo a lhes dar unidade. Podem não ter os votos para eleger algum vereador, mas são uma força viva e pulsante que constroem com a tessitura de suas almas a identidade cultural de nossa região, de nosso país.
Ou seja, aos amigos tudo, aos inimigos nada. A cultura que o nosso povo de certa forma consome, mas lhe passa despercebida, para muitos prefeitos daqui e de alhures, é algo de menor importância tratada como uma inimiga, um entrave. Somente as formas midiáticas, massivas, como essa música de segunda categoria que a mídia nos impõe, merecem a atenção dos governos em geral. Não poderia ser diferente em nosso município. No entanto, no Desfile das Virgens, dois grandes artistas surubinenses foram lembrados e homenageados.
De um lado Noé da Ciranda e do outro Apolinário. Noé, como o próprio nome lembra, manteve viva essa manifestação da cultura do nosso povo que é a ciranda e do outro o artista plástico Apolinário com suas obras de cunho figurativista, pinturas e esculturas de papel machê executadas com qualidade técnica e alto senso de plasticidade.
Será que esse é um bom sinal para o ano que se inicia?
Será que nossa biblioteca reabrirá suas portas?
Às vésperas da última eleição para prefeito, Ana Célia afirmou para nossa reportagem que guardara 50 mil reais para a instalação do Museu Capiba no prédio da Câmara de Vereadores. Esses recursos certamente seriam insuficientes para esse grande empreendimento. Mas mesmo que o fossem o problema maior seriam os entendimentos com os que guardam o acervo desse gênio da música pernambucana.
Pergunto então, para onde vai o edifício da Câmara de Vereadores? Esses 50 mil evaporaram?
Vamos aguardar os acontecimentos.
22, de fevereiro de 2026
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