A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE) decidiu pela retomada do inquérito que investiga um esquema de empreiteiras contratadas pela gestão do prefeito João Campos (PSB) para centenas de obras de manutenção predial em mais de 600 equipamentos públicos do município do Recife. Há indícios de que os desvios envolvem mais de R$ 200 milhões em seis secretarias da gestão municipal – todas na atual administração.
A informação da retomada do processo foi divulgada em primeira mão pela Coluna do Estadão, em texto assinado pelo repórter Eduardo Barretto. A Câmara Criminal é presidida pelo desembargador Mauro Alencar de Barros.
Des. Mauro Alencar preside a Câmara e é o relator do processo, que tramita em sigilo de justiça
A decisão reverte a anulação promovida pelo juiz Rildo Vieira da Silva, pai do candidato do escândalo do fura-fila no concurso da Procuradoria-Geral do Município do Recife. O magistrado, que havia sido promovido para a Vara de Crimes Contra o Patrimônio Público da Capital em outubro, recebeu o processo no dia seis de novembro e nessa mesma data anulou todos os passos do inquérito, que havia realizado inclusive, com decisão judicial, uma operação de busca e apreensão denominada Barriga de Aluguel, em 14 de agosto de 2025.
A realização da operação havia sido liberada por decisão da juíza Roberta Vasconcelos, que saiu do caso e foi para uma vara da Família. O trabalho investigativo é de responsabilidade do Gaeco do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE).
Vários são os elementos que apontam para uma orquestração entre o prefeito do Recife João Campos, o seu procurador-geral, Pedro Pontes, e o juiz Rildo Vieira da Silva no intuito de abortar o trabalho investigativo do Ministério Público do Estado de Pernambuco. Em troca da anulação do inquérito, que tramita em sigilo de justiça, o procurador aceitaria emitir um parecer contrariando a própria Procuradoria para incluir extemporaneamente em lista PcD o candidato Lucas Vieira Silva, filho do juiz, e o prefeito o nomearia, como nomeou em 23 de dezembro do ano passado por meio de uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial.
Nesse enredo, a novidade mais recente é que a estrutura administrativa da Prefeitura estava, por ordem superior, decidida a dar posse ao candidato fura-fila, tanto que realizou os exames admissionais do candidato antes mesmo da nomeação, o que é considerado um caso totalmente fora dos padrões, já que sem nomeação não haveria porque a Secretaria de Administração admitir alguém.
QG das empreiteiras fica no bairro de Campo Grande, no RecifeBARRIGA DE ALUGUEL – Além da tramitação na Justiça Estadual, por meio de trabalho investigativo do MPPE, o esquema das empreiteiras na gestão João Campos está em investigação na Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União e Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.
Na prática, um grupo empresarial com infiltrações na cúpula do PSB de Pernambuco teria sido contratado irregularmente, via adesão a um contrato de uma associação de municípios de Minas Gerais. A empresa formalmente contratada, a Construtora Sinarco, nunca teve sede ou filial em Pernambuco e os contratos eram operados pelo grupo Alca Engenharia e Max Construções, pertencente ao mesmo dono e com amplo trânsito na gestão da capital pernambucana. As empresas já tinham contrato com a Prefeitura e estariam recebendo duas vezes pelo mesmo serviço.
O grupo havia crescido muito na gestão do ex-prefeito Geraldo Julio e alcançou faturamento de dezenas de milhões anual na atual gestão.
As suspeitas envolvem burla ao processo licitatório, duplicidade de pagamentos por um mesmo serviço, utilização dos recursos para financiamento de campanhas eleitorais, boletins de medição falsificados, envolvimento da empresa de fiscalização privada contratada pela Prefeitura, enriquecimento ilícito e lavagem de capitais e chegariam inclusive no núcleo familiar do prefeito.
30, de janeiro de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
0 Comentários