Em uma entrevista divulgada ontem (30), no canal do Estadão, a senadora eleita por Pernambuco, Marília Arraes (PDT), falou sobre os rumos do país e a avaliação da vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno. Tudo “mais do mesmo”, a não ser pela parte final da conversa online, que acabou sendo vazada pelo próprio jornal e incluída publicamente no material que foi ao ar.
Aos 25 min. e 09 seg. de vídeo, a repórter Danielle Brant finaliza a entrevista e pergunta se no mesmo dia poderia mandar mensagem perguntando sobre o resultado da reunião do PDT em relação ao debate sobre federação. “Em off mesmo, porque eu quero pegar esse bastidor”, garante a repórter.
Off é a expressão usada por jornalistas quando querem apurar uma informação e garantir a preservação da fonte. Ou seja: o conteúdo, ainda que tenha aspas, pode ser publicado, mas a pessoa que revelou não deve ser citada diretamente.
Confiando nisso, a senadora eleita afirma que existe uma tese interna de que a federação não seria suficiente para superar a cláusula de barreira, fazendo com que uma ala do PDT enxergue a necessidade de uma fusão, algo que está sendo analisado pelo advogado dela, que é o mesmo representante jurídico do partido nacionalmente.
“Walber Agra, que tornou Bolsonaro inelegível, ele é meu advogado desde 2014 e é advogado nacional do PDT. Ele garante que a federação supriria esse não atingimento da cláusula, mas tem algumas divergências, então, não sei no que vai dar. A gente vai fazer uma reunião prévia, com algumas lideranças do PDT e, depois, a gente vai conversar”, revela Marília num primeiro momento.
Ela reforça o questionamento sobre a preservação da fonte: “isso é tudo off, não é?”, sendo respondida por Danielle: “sim, vai cortar. A gente terminou lá atrás”.
Com a confirmação, a senadora eleita pelo PDT começa a revelar os demais partidos que estão sendo estudados para compor uma eventual federação, apontando que a maioria de lideranças partidárias não desejam que esta união seja com o PSB, inclusive ela.
“Primeiro, teria a [opção de] federação com o PSB que já foi rejeitada. Não foi descartada, mas a maior parte das lideranças do PDT não topariam”, disse.
A sigla é comandada nacionalmente pelo primo dela, o ex-prefeito do Recife, João Campos, e uma eventual federação fará com que Marília fique à mercê das decisões dos caciques socialistas de Pernambuco. A senadora eleita destrincha as demais opções e aponta sua preferência a uma união com o PSDB de Aécio Neves.
“A segunda opção seria uma fusão com a Rede e aí, automaticamente, entraria numa federação com o PSOL. Ou uma fusão com o Cidadania, que aí entraria numa federação com o PSDB, particularmente, é o que eu acho melhor, principalmente no contexto da vitória do presidente Lula. Nesse contexto, a gente tem certeza que o PSDB não vai se alinhar com o bolsonarismo. Seria o melhor, porque a gente consegue um diálogo mais ao centro, não fica tão extremista”, opinou Marília Arraes, apontando que também haveria a opção de se unir a partidos menores, como o Solidariedade, o Avante ou PRD.
Na conversa, a senadora eleita diz que, para quem é do Nordeste, a união com o PSDB “não faria tanta diferença”, mas “facilitaria a vida” de quem é do Sul e Sudeste. Entretanto, com vistas a 2028, a federação com o partido tucano, que está às traças em Pernambuco, poderia ser a tábua de salvação caso Marília queira disputar a Prefeitura do Recife contra o grupo de João Campos, possibilidade que já vem sendo comentada nos bastidores. Podendo ser esse o principal motivo da preferência dela.
Sábado, 31 de outubro de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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