35 anos de emancipação: será que já somos verdadeiramente livres?

Da Redação 
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Por Sérgio Ramos

Hoje, 2 de outubro, Vertente do Lério veste suas cores, levanta sua bandeira e celebra 35 anos de emancipação política.

É dia de olhar para a nossa história com orgulho. De lembrar daqueles que sonharam com uma Vertente do Lério independente, daqueles que lutaram para que o antigo distrito pudesse escrever sua própria história e daqueles que, ao longo dessas três décadas e meia, ajudaram a construir o município que temos hoje.

Mas aniversário também é momento de reflexão.

E talvez seja justamente por amar esta terra que eu não consiga apenas dizer “parabéns” sem fazer uma pergunta que há muito tempo mora dentro de mim:

Vertente do Lério se emancipou politicamente. Mas será que já conseguiu se emancipar de verdade?

No papel, somos município. Temos Prefeitura, Câmara, orçamento, leis, bandeira, hino, história e identidade própria. A emancipação está registrada nos documentos e faz parte da nossa história oficial. 

Mas emancipação não deveria significar apenas deixar de pertencer administrativamente a outro município.
Emancipar-se de verdade é permitir que os filhos da terra tenham oportunidades dentro da própria terra.

É fazer com que um jovem não precise sair daqui porque não encontrou uma oportunidade de trabalho.

É valorizar quem nasceu, cresceu e vive em Vertente do Lério.

É fazer com que o pequeno comerciante, o agricultor, o trabalhador, o artista, o profissional liberal, o radialista, o blogueiro, o professor e tantos outros possam enxergar futuro onde escolheram viver.

É olhar para quem está todos os dias no município e perguntar:

“O que podemos fazer para que você não precise ir embora para realizar seus sonhos?”
Talvez essa seja a emancipação que ainda esteja faltando.

Não estou falando de emancipação territorial. Essa já aconteceu. Estou falando de uma emancipação de oportunidades, de autonomia, de desenvolvimento e, principalmente, de pertencimento.

Porque uma cidade pode ter 35 anos de emancipação e ainda carregar velhas dependências.

Pode ter sua própria Prefeitura, mas continuar dependendo de decisões tomadas longe daqui. Pode ter recursos, mas não conseguir transformá-los na velocidade que a população espera.

Pode ter gente talentosa, mas não oferecer espaço suficiente para que esses talentos floresçam.

E isso não é uma acusação contra uma única administração. É uma reflexão que atravessa gerações e que deveria servir para todos nós.
Afinal, Vertente do Lério não pertence a prefeito, vereador, grupo político ou partido.
Pertence ao seu povo.

Por isso, neste 2 de outubro, quero parabenizar o município do Ouro Branco, como carinhosamente chamamos nossa terra, pelos seus 35 anos.

Mas quero também fazer um pedido em forma de desejo:
Que os próximos 35 anos sejam marcados por uma nova emancipação.
A emancipação do medo.
A emancipação da dependência.
A emancipação da falta de oportunidades.
A emancipação daqueles que precisam deixar sua terra para buscar em outros lugares aquilo que gostariam de encontrar aqui.

Que Vertente do Lério possa chegar ao seu próximo aniversário não apenas mais velha, mas mais independente, mais próspera e mais capaz de oferecer oportunidades aos seus próprios filhos.

Porque comemorar 35 anos é importante.
Mas construir uma cidade onde o seu povo tenha orgulho de ficar é ainda mais.
Parabéns, Vertente do Lério!
35 anos de emancipação política.

E que venha a emancipação de verdade.
Sérgio Ramos
Radialista e blogueiro

Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

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