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Sou de uma época em que os festejos juninos nasciam das mãos da própria comunidade. Vizinhos, independentemente de suas crenças, se uniam para enfeitar as ruas, levantar palhoças de palha de coqueiro, acender fogueiras e dançar a verdadeira quadrilha tradicional.
Naqueles dias, o que mais importava não era a condição financeira de cada um, mas a alegria de estar junto. Havia um sentimento de pertencimento, amizade e igualdade que transformava a festa em um verdadeiro encontro do povo.
Com o passar dos anos, os eventos foram sendo assumidos pelo poder público. Embora tenham ganhado estrutura, muito da essência se perdeu. O que antes era participação popular foi dando lugar ao espetáculo; o que era construção coletiva tornou-se algo cada vez mais distante da comunidade.
Talvez seja hora de resgatar não apenas as tradições, mas o espírito de união que fazia do São João uma festa verdadeiramente popular.
Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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