A Guerra pelo Senado e o jogo da falsa fidelidade partidária em Pernambuco

Fonte: BLOG DO ADRIANO ROBERTO 
felizsramosdecarvalho@yahoo.com.br-
Se há um lugar onde a hipocrisia política brasileira ganha contornos de obra de arte, esse lugar é Pernambuco no ano de eleição. Enquanto os holofotes e o horário eleitoral concentram as atenções no Palácio das Princesas, a verdadeira guerra sem trincheiras e de faca entre os dentes está acontecendo na disputa pelas duas cadeiras do Senado Federal. Não é para menos. O Senado virou o troféu de ouro da política estadual. De um lado, quadros tradicionais da esquerda tentam blindar o seu território; do outro, nomes da direita e do centro-direita babam para tomar essas posições estratégicas e mandar um recado direto a Brasília. É uma briga de titãs onde ninguém quer pedir ou dar quartel.

O que deixa a disputa ainda mais apimentada, porém, não é o debate de propostas para o estado, mas o imenso jogo de cena que acontece longe das câmeras. É a chamada "fidelidade de fachada".

O juramento no palanque e o "voto casado" na calada da noite

No palco das convenções e nas fotos oficiais, a regra é clara: discurso alinhado, sorriso largo e juramento de lealdade irrestrita à chapa majoritária. Mas basta a comitiva dobrar a esquina do município para a realidade do pragmatismo mudo entrar em ação. Já vi por várias vezes o candidato ao senado deixar a comitiva do postulante a governador ir embora do evento e ficar no local para os acertos escusos.

No chão do interior e nos bairros periféricos, a ideologia vai até onde o fundo partidário e a promessa de emenda alcançam. Prefeitos, vereadores e lideranças locais viraram verdadeiros mestres da malabaragem eleitoral. São eles que pedem voto para o governador de uma coligação e fecham com o senador de outra; além de liberar a base para votar em um deputado estadual ou federal de um grupo completamente oposto.

É o famoso voto "mosaico". Para o cacique municipal, o que importa não é o projeto de país ou de estado do seu partido, mas garantir que, vença quem vencer, ele continue com a chave do cofre e as portas abertas nas secretarias a partir de janeiro.

A conta vai chegar

Enquanto os postulantes ao Senado gastam sola de sapato e fortunas em marketing tentando convencer o eleitor de que representam a coerência pura, o bastidor revela que a estrutura partidária pernambucana é um grande balcão de conveniências.

A pergunta que fica para o eleitor atento é: até quando o discurso oficial de "união pelo povo" vai conseguir esconder essa dança das cadeiras e dos interesses pessoais? Na disputa de dois votos para o Senado, quem acha que o apoio do prefeito local é garantia de urna pode ter uma surpresa indigesta na hora da apuração.

Em Pernambuco, lealdade partidária tem preço, prazo de validade e, acima de tudo, condicional. Quem não souber jogar esse jogo nas sombras, vai assistir de camarote a vitória do adversário.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Os candidatos ao Senado que estão na liderança das pesquisas vão ter desagradáveis surpresas ao abrir das urnas?

Quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro 

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