Está marcada para esta quinta-feira a chegada ao Recife do presidente nacional do PT, Edinho Silva, encarregado de definir as alianças do partido para a eleição majoritária deste ano. Mas, pelo clima estabelecido entre os militantes do partido no estado, uma parte a favor de uma aliança com a governadora Raquel Lyra e outra favorável ao prefeito João Campos, Edinho não vai ter facilidade para trabalhar tanto é que algumas lideranças da legenda no estado já estão imaginando que, ao fim do encontro do presidente com as bases, só deve sair uma decisão: de remeter para a direção nacional a tarefa de definir os rumos do partido este ano. Como sempre acontece, aliás.
Este final de semana, no entanto, os corredores da legenda no estado ferveram mesmo em torno da disputa pelo Senado. Como o senador Humberto Costa já está escolhido como o nome do PT para a Câmara Alta – ele disputa a reeleição – o que o PT mais discute hoje é sobre o companheiro de chapa do senador, já que são duas as vagas deste ano. Foi nesse vespeiro que caiu como uma bomba a decisão da ex-deputada federal Marília Arraes de lançar-se candidata oficial ou avulsa ao Senado com direito a gravar um vídeo este domingo afirmando, com todas letras, que “não tem volta”.
Marília estaria blefando? Alguns petistas disseram que sim achando que o prefeito João Campos vai agir para evitar embaraços em sua retaguarda. Na verdade, o PT fez chegar ao prefeito que se admitir as candidaturas de Humberto e Marília os votos da esquerda vão se dividir e há risco de um bolsonarista e um nome de centro vencerem o pleito, o que seria péssimo para o presidente Lula que pretende ampliar seu percentual de votos no estado. Para preservar Humberto o PT quer saber quem vai ser seu companheiro de chapa e pelo menos uma liderança disse, pedindo anonimato, que se a insistência com Marília perdurar os entendimentos feitos até agora podem ser revistos.
Melhor os dois
Como Marília já desafiou o PT pelo menos duas vezes e só foi vencida nas urnas, ninguém duvida de que ela, caso consiga um partido para bancá-la, se lance avulsa e o estrago pode ser maior. “ Ainda acho melhor os dois disputarem juntos do que separados, pois ninguém vai poder conter as tensões entre eles na disputa pelo voto” – contou uma liderança do PT este domingo tentando pintar um quadro da situação. Esta tese agrada Marília para quem o segundo voto dela seria de Humberto e o segundo de Humberto seria dela. Humberto já falou para um amigo que não acredita nisso.
Um nome de centro
A tese de partidários de Humberto também se estende sobre a formação da chapa em que o PT vai estar. Eles dizem que o próprio João Campos não seria bem sucedido com uma chapa toda de esquerda e que ele vai precisar de alguém de centro para ampliar suas possibilidades. “ A eleição vai ser dura e quem quiser que brinque com ela” – disse um deles este domingo. A impressão que dá é de que o PT aceita qualquer nome que não seja de esquerda mas que feche com a reeleição do presidente Lula.

O prefeito João Campos vai concordar com as ponderações do PT sobre a chapa para o Senado?
2, de Março de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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