“Ninguém governa governador”- disse certa vez o ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, em resposta a correligionários que passavam os pés pelas mãos tomando providências da alçada governamental sem ouví-lo e eram surpreendidos com a revogação dos próprios atos. Pernambuco viveu nos últimos dias algo parecido quando o deputado federal Eduardo da Fonte, considerado um hábil negociador e formador de bancadas, desafiou a governadora Raquel Lyra, da qual era aliado, e negociou com o prefeito João Campos, o principal adversário dela, um lugar na sua chapa para o Senado.
Conhecida por não admitir comportamentos desse tipo a governadora respondeu ao ato de Eduardo da Fonte afastando de uma só vez os dirigentes da Ceasa, Lafepe e Porto do Recife, três dos principais órgãos do estado que haviam sido ocupados por ele com indicações partidárias. E como as notícias ruins nem sempre andam sozinhas, esta quarta-feira o deputado, que já tinha perdido as condições de ser candidato ao Senado na chapa da governadora, viu o prefeito João Campos, de forma surpreendente, descartá-lo de sua chapa colocando no lugar a ex-deputada federal Marília Arraes.
– “Quero ver onde Dudu vai parar depois dessa” – comentou um deputado estadual governista ontem na Alepe logo depois de anunciada a chapa de João Campos. Na verdade, além de estar perdendo os espaços no Governo Raquel, Eduardo da Fonte e seu partido, o PP, perdeu um dos seus principais integrantes, o deputado estadual Antonio Moraes que se filiou ao PSD a convite da governadora e o deputado estadual Romero Sales, que estava para se filiar ao PP e também passou a ser integrante do PSD. Outros integrantes do Progressistas podem deixar o partido até o dia 04 de abril, quando encerra a janela partidária. Há 20 dias este blog publicou levantamento mostrando que o PP teria a maior bancada na Alepe até o início de abril mas isso pode não acontecer.
19, de março de 2026
Por Sérgio Ramos/Locutor e Blogueiro
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