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(Reprodução/Flickr) |
Conhecida depois que encenou a própria crucificação na Parada LGBT
de São Paulo deste ano — como forma de protesto contra a transfobia —, a atriz
e modelo transexual Viviany Beleboni postou um vídeo nas redes sociais no qual
diz ter sido esfaqueada a caminho de sua casa.
Muito abalada e chorando, ela conta que um homem a
reconheceu e, com uma faca, a atacou. Nas imagens, ela mostra o rosto machucado
e um corte no braço. "Acabei de ser agredida por uma pessoa que se fala
que é de Deus. Você pode ver que estou com meu olho inchado. O meu rosto foi
cortado. Acabei de secar porque estava saindo sangue. Meu nariz está todo
inchado e ensanguentado", começa a falar Viviany.
Em seu depoimento, ela segue com o relato: "Se era isso que vocês inimigos queriam, vocês queriam (...). Eu fui quase esfaqueada. Estava passando na rua aqui perto de casa e a pessoa me conheceu. Ele estava com uma faca, esses marginalzinho, mendigo de rua, disse que não sou de Deus, que sou um demônio e o que eu fiz, eu teria que pagar".
Viviany disse que lutou com o agressor e, por isso,
conseguiu se salvar. "Sorte é que tenho 1.80m. Sou homem suficiente e
conseguir apartar isso. Ele saiu correndo", diz. A modelo ainda deu a
entender que não pretende registrar o caso na delegacia. "Pra quê? Para
eles te tratarem que nem um homem lá, para te chamarem que nem um homem e rirem
da sua cara e não dar em porra nenhuma. Eu não vou. Sabe o que vou fazer? Vou
ficar trancada dentro da minha casa", fala chorando.
A transexual ainda fala sobre o episódio em que mostrou a sua
crucificação: "Meu ato foi de amor. Foi para alertar sobre pessoas que nem
eu, que estão sangrando". O Extra entrou em contato com Viviany, que,
muito abalada, falou sobre o ocorrido:
— Recebo muitas ameaças pelas redes sociais,
dizendo que tenho que morrer, que minha família também. É muito difícil isso.
Recebi ameaça até de uma organização criminosa (chora). Estou sendo hostilizada
de todos os jeitos. Por causa disso tudo, estou com síndrome do pânico, quase
não saio de casa. Minha vida está um inferno.
Ontem à note (sábado, dia 8 de agosto), eu fui
caminhar perto de casa. Uns garotos começaram a xingar, não percebi que era
comigo. Eles falaram que eu era o demônio e tinha que pagar pelo que fiz (o ato
na Parada Gay). Não sei se eles estavam com faca ou gilete. Vieram para cima e
cortaram o meu braço. Fiquei apavorada (chora mais).
Tentaram cortar a minha barriga e me jogaram no
chão. Eles me deram muitos socos, arrancaram o meu cabelo. Foi aí que baixou o
homem em mim e comecei a chutar. Eles foram embora e disseram que se me vissem
de novo eu ia ver o que ia acontecer.
Assim como no vídeo, a modelo reafirmou que não vai
procurar a polícia com medo de represália:
— Se eu for, eles vão me tratar como lixo, vou
ficar esperando quatro horas para fazer um boletim de ocorrência que não vai
servir para nada. Tenho medo de dar o meu endereço. Não desejo o que estou
passando para ninguém. É horrível! Só queria ficar em paz.
Fonte: extra.globo.com
Por Sérgio Ramos/Repórter e Blogueiro – 10/08/2015
E-Mail: felizsramosdecarvalho@yahoo.com.br
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